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Telefone fixo tem se tornado cada vez mais raros no país.
18/12/2017 05:32 em Tecnologia

RIO - O telefone fixo, que já chegou a ser item obrigatório na declaração do Imposto de Renda e símbolo de status social, pode estar com os dias contados nas casas dos brasileiros. De acordo com uma fonte ligada às operadoras de telefonia e ao governo, a expectativa é que em 2021 o aparelho já tenha praticamente desaparecido dos lares. A estimativa é feita com base na tendência de queda no número de linhas residencias em uso no país.

Além disso, especialistas lembram que em 2025 vai acabar a concessão da telefonia fixa do país. Segundo a atual Lei Geral de Telecomunicações (LGT), essa concessão não poderá ser renovada por Oi e Telefônica, a não ser que a legislação passe por mudanças. Essas alterações são previstas no projeto de lei complementar (PLC) 79, que está parado no Congresso.

CELULAR TEM PRATICIDADE

Os dados mostram, mês a mês, o declínio do telefone fixo. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do IBGE, o número de lares que usam o fixo passou de 12% em 2005 para apenas 2% no ano passado. Ou seja, caiu de 6,5 milhões para 1,3 milhão de residências. Segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), o total de linhas em uso, o que inclui as linhas fixas comerciais, é de 40,9 milhões, pelos dados de novembro. O número é 2,8% menor que os 42,1 milhões registrados em outubro de 2016.

— O telefone fixo era um bem de valor elevado para aquisição e também de manutenção cara. As pessoas até usavam cadeado para os filhos não ficarem muito tempo no telefone. Já o celular tem preços mais baixos, além de auxiliar no trabalho. Muitas pessoas que trabalham na rua fazem do telefone seu escritório. Serve de agenda, de acesso à internet e para pesquisas — analisa Maria Lúcia Vieira, gerente da Pnad, ao explicar os motivos da perda de participação do fixo nos lares.

CONCORRÊNCIA DO WHATSAPP

Além da concorrência com o telefone celular, especialistas citam ainda o surgimento de aplicativos que permitem ligações de voz, como o WhatsApp, que vem “roubando" receita das teles tradicionais.

— Hoje, o telefone fixo não tem mais o interesse do consumidor, pois deixou de ser o principal serviço — diz Basílio Perez, presidente da Associação Brasileira de Provedores de Internet e Telecomunicações (Abrint).

Mas, para parte da população, o telefone fixo permanece como a principal forma de comunicação. É o caso do economista aposentado Hélio Perez, de 78 anos. Ele calcula que é assinante do serviço há pelo menos 40 anos. Embora tenha celular e use WhatsApp, o aparelho fixo, diz, permite conversas mais longas.

— Nós (ele e a mulher, Anna Maria Perez, de 77) temos WhatsApp por necessidade de contato com amigos, parentes. Mas somos completamente contra. Fica muito frio. O celular se torna uma coisa mais rápida, menos cordial, menos efetiva. É ruim mandar Feliz Natal para uma pessoa que você quer bem por mensagem escrita — argumenta Perez.

Já para o ajudante de refrigeração Ítalo Araújo, de 28 anos, manter o telefone fixo em casa é apenas uma questão técnica. Morador de Cordovil, na Zona Norte do Rio, ele já tentou cancelar o serviço, mas foi informado pela operadora de que só poderia ter a banda larga se tivesse também uma linha fixa, que custa R$ 70. Com a conta de internet, paga, no total, R$ 120 por mês.

— Mantenho minha linha exclusivamente por causa da internet. Já tentei cancelar, mas a operadora não disponibiliza o serviço da internet sem o fixo na minha região. Assim que ficar disponível, irei cancelar — diz Araújo.

Ele tem essa linha há três anos, mas hoje não usa para fazer uma ligação sequer. Todo o contato é feito por celular ou WhatsApp.

— Usava muito o telefone fixo para falar com amigos, parentes. Mas há uns quatro ou cinco anos, quando a internet começou a ficar mais acessível, comecei a abandonar o fixo —explica.

TELES DEFENDEM LINHA FIXA

As empresas de telecomunicações, por outro lado, garantem que a linha fixa ainda é um serviço importante. Segundo Mauro Fukuda, diretor de Tecnologia de Rede e Estratégia da Oi, o foco da companhia é aproveitar a rede presente em 5.500 municípios para oferecer outros serviços, além de voz.

— A telefonia fixa tradicional é só um dos serviços. Estamos utilizando a rede fixa para transporte de dados de internet. O grande crescimento está previsto em cima de internet das coisas — afirma Fukuda.

Ele lembra que a Oi tem hoje 9,3 milhões de linhas fixas. De dezembro de 2012 a novembro de 2017, o número de telefones fixos da empresa caiu 33%. A empresa diz manter a oferta do serviço para atender a diferentes perfis de cliente.

O grupo mexicano América Móvil, dono de Net, Claro e Embratel, tem 10,5 milhões de linhas fixas instaladas no país. Entre outubro de 2015 e outubro deste ano, o o número de usuários cresceu 11%. “A telefonia fixa ainda é um serviço muito importante para as famílias brasileiras. Existe uma demanda”, afirmou a empresa.

Com 9,5 milhões de linhas fixas residenciais, a Vivo, da espanhola Telefônica, também tem planos de manter o serviço. “Mesmo em meio a um processo natural de redução da demanda por serviços de voz tradicional, ainda existe procura. A Vivo sempre terá em seu portfólio de produtos ofertas adequadas às mais distintas necessidades dos clientes”, informou em nota.

Para a TIM, com 720 mil linhas fixas ativas, “o telefone fixo ainda é muito importante para uma parcela significativa da população.” Assim como as outras teles, a empresa passou a incluir chamadas ilimitadas nos planos ofertados aos seus clientes, além de pacote para ligações internacionais.

Fonte Extra

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